Após espancarem uma capivara na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, os envolvidos foram presos, autuados pelo Ibama e terão de pagar, cada um, R$ 20 mil por maus-tratos, totalizando R$ 160 mil em multas. A agressão, registrada por câmeras de segurança, também marcou a primeira aplicação do chamado Decreto Cão Orelha, nova norma federal de proteção animal.
Editado há cerca de 15 dias, o decreto ampliou o valor das penalidades. Antes, as multas para esse tipo de crime variavam entre R$ 300 e R$ 3 mil. Agora, podem chegar a R$ 50 mil, de acordo com a gravidade da infração.
O Ibama afirmou que a prática de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação de animais silvestres é considerada infração administrativa e também pode configurar crime ambiental. O órgão destaca que, com a atualização feita pelo Decreto nº 12.877/2026, houve reforço no rigor das penalidades aplicadas a esse tipo de conduta. “A fauna silvestre é protegida por lei, e qualquer forma de violência contra esses animais é passível de sanção”, informou.
O instituto também ressaltou a importância da participação da população. “A colaboração da sociedade é fundamental para a denúncia e o combate a esse tipo de prática”, concluiu.
O ataque aconteceu na madrugada de sábado (21), na região do Quebra Coco, no Jardim Guanabara. As imagens mostram o grupo usando pedaços de madeira, alguns com pregos, para agredir o animal.
Estado de saúde da capivara
Resgatada após o ataque, a capivara chegou em estado crítico, mas apresentou sinais de melhora nos últimos dias. De acordo com o veterinário responsável, Jeferson Pires, o animal voltou a se alimentar e a reagir ao ambiente.
“Ela já apresenta comportamento mais ativo, o que indica evolução no quadro clínico”, explicou.
Apesar disso, o risco de morte ainda não foi totalmente descartado por causa de um traumatismo craniano. “Essa possibilidade tende a diminuir com o passar dos dias, se não houver piora”, afirmou o especialista.
Um dos principais pontos de atenção é uma lesão grave no olho esquerdo, que pode causar perda permanente da visão. Caso a cegueira seja confirmada, o destino do animal deverá ser reavaliado.
A expectativa inicial é de que a capivara possa ser devolvida à natureza em até duas semanas. No entanto, essa decisão dependerá das condições de locomoção e orientação. Em caso de limitação, a recomendação é encaminhá-la para um ambiente protegido, longe de vias, para evitar novos riscos.
Prisão mantida

A Justiça do Rio decidiu manter presos os seis maiores de idade detidos em flagrante. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada na Central de Benfica, na segunda-feira (23).
Na decisão, o juiz Rafael Rezende destacou a gravidade do crime. “A gravidade em concreto do delito demonstra a necessidade da prisão cautelar para a garantia da ordem pública”, afirmou. Ele também citou as imagens que circularam nas redes: “Revelam a extrema crueldade do crime praticado”.
O magistrado ainda apontou o uso de objetos que aumentaram o sofrimento do animal. “A pluralidade de agentes, o envolvimento de adolescentes no crime e o potencial lesivo dos instrumentos usados aumentam a reprovabilidade da conduta”, disse.
Os pedidos de liberdade provisória apresentados pelas defesas foram negados. Segundo o juiz, o fato de os acusados serem primários e terem residência fixa não impede a prisão preventiva. “A primariedade técnica […] não obstam a segregação cautelar”, registrou.