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Segurança Pública

Idoso conta ao ENFOCO momentos de agressão no Rio: ‘Apaguei depois dos socos’

André Silva | Publicado em: - Atualizado 7 meses atrás

Idoso relata agressão após confusão em quiosque
Foto: Reprodução
Idoso é agredido com 13 socos no rosto – Vídeo: Redes Sociais

O idoso de 72 anos ainda tenta se recuperar das marcas físicas e emocionais deixadas por uma agressão que, segundo ele, começou por um motivo banal: o preço de um cigarro. Em conversa com o ENFOCO, ele contou como foi atacado por um homem desconhecido dentro de um quiosque na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, no dia 28 de fevereiro.

Imagens da agressão passaram a circular recentemente nas redes sociais e mostram o momento em que o idoso é derrubado e atingido por diversos golpes. No vídeo, também é possível ver uma mulher tentando defender a vítima: ela parte para cima do agressor e chega a quebrar uma garrafa nele. Em seguida, o homem reage e dá um tapa na mulher.

Ele lembra que estava com amigas e decidiu ir até o local apenas para comprar um maço de cigarros. Ao perceber que o valor estava acima do que esperava, resolveu questionar a atendente. Foi nesse momento que um homem, que ele nunca tinha visto, passou a interferir na conversa.

“Eu estava discutindo o preço com a vendedora, quando ele se meteu. Eu falei para ele não se envolver, que não era assunto dele. Achei que tinha parado por ali”, contou o idoso, que preferiu não se identificar por medo de represálias do agressor, já que não sabe quem ele é nem onde vive.

Segundo o idoso, a situação parecia controlada até que o homem voltou e partiu para cima dele de forma inesperada. “Quando ele veio na minha direção, eu senti que ele ia me bater. Tentei me afastar, botei a mão na frente, mas ele me deu um soco no supercílio. Fiquei tonto, caí, e ele veio para cima de mim”, relatou.

Já no chão, a violência continuou. O idoso afirma que levou uma sequência de golpes no rosto até perder a consciência.

Ele me deu 13 socos na cara. Eu apaguei. Não vi mais nada”, — disse.

A confusão só terminou quando outras pessoas que estavam no local intervieram. O agressor fugiu logo depois, de moto, acompanhado por uma mulher. A vítima afirma que nunca tinha estado naquele quiosque antes e não conhece o homem que o atacou. “Eu só fui lá por causa do cigarro. Nunca tinha ido naquele lugar”, afirmou.

O idoso foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado para o Hospital Municipal Evandro Freire, onde levou sete pontos na cabeça e passou por exames. Ele também sofreu ferimentos nas mãos ao tentar se proteger durante as agressões.

Com histórico de problemas de saúde, incluindo cirurgia cardíaca e o uso de prótese no braço, ele diz que não teve qualquer chance de reagir. “Eu sou deficiente físico, tenho problema no coração. Não tenho condição de brigar com ninguém”, completou.

Após receber atendimento médico, ele procurou a Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade (Deapti), onde registrou o caso. Segundo o idoso, agentes estiveram várias vezes no quiosque em busca de imagens que ajudem a identificar o agressor.

“Eles foram lá algumas vezes porque a filmagem não estava boa. Conseguiram imagens melhores, mas ainda estão tentando descobrir quem é”, contou.

A vítima também passou por exame no Instituto Médico Legal (IML). Ele relata que ficou com o rosto inchado e roxo por dias. Além das marcas físicas, ele diz que o episódio ainda pesa no dia a dia.

“Hoje eu ainda sinto dor de cabeça. Minha mão infeccionou, tive que fazer punção, o braço também ficou ruim. E mentalmente a gente fica abalado. Eu nunca tinha levado um tapa na cara com 72 anos. Sou viúvo, fiquei muito mexido com isso”, falou com exclusividade ao ENFOCO.

Segundo ele, a rotina mudou depois da agressão. “Eu não saio mais à noite, não me interessa. Fico mais em casa, vou na casa da minha filha de vez em quando. Tenho um cachorro, um Golden, que é de serviço e me ajuda. Minha vida é isso agora. O tempo vai curando as coisas”, completou.

Protesto contra violência a idoso

Moradores da Ilha do Governador fizeram, na manhã de segunda-feira (30), um protesto contra a violência após o caso. Vestidos de preto e com cartazes pedindo justiça, os participantes se reuniram em um ato pacífico.

Com mensagens como “amar também é proteger” e “basta de violência contra idosos”, os manifestantes pediram mais segurança e responsabilização no caso. O ato também foi marcado por gritos de “justiça”.

O caso é investigado pela Polícia Civil. Em nota, a corporação informou que agentes da Deapti realizam diligências para identificar o agressor e esclarecer todos os fatos.

André Silva

Bastante ativo na cobertura cultural, ja foi contemplado com o Prêmio Themis de Jornalismo, concedido pelo TJRS. Além da cultura, caminha por várias editorias, inclusive em cobertura de eventos internacionais, como a Cúpula do G20 e o encontro dos Brics. Instagram: @andrre.sillva

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