Imagens registradas por câmeras corporais revelam cenas intensas durante os tiroteios da megaoperação realizada na última terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Os vídeos mostram policiais socorrendo colegas feridos, aplicando torniquetes e improvisando macas sob fogo cruzado. A ação terminou com a morte de quatro agentes, dois policiais civis e dois militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
Em um dos vídeos, o cabo Oliveira, integrante do Bope, é baleado na coxa esquerda enquanto atuava em uma área de mata no Complexo do Alemão. O sargento Cleiton Serafim Gonçalves, também do Bope, auxilia no resgate do companheiro.
Nas imagens, os policiais aparecem carregando o ferido morro abaixo, enquanto um deles afirma: “O blindado não sobe aqui, vamos ter que descer com ele”. Oliveira foi levado a um hospital e sobreviveu, mas, ainda naquele dia, o sargento Serafim acabou morto em outro confronto com criminosos.
“Nossos policiais são verdadeiros heróis. Eles enfrentaram o perigo com coragem, sob fogo cruzado, para salvar a vida de seus próprios irmãos de farda. Cada policial que estava ali sabia da importância da missão e cumpriu firme a batalha diante do cenário de guerra causado por narcoterroristas . Investimos na proteção dos nossos guerreiros, com viaturas semiblindadas, coletes e armas novas, e continuaremos investindo em estrutura, inteligência e valorização das tropas “, ressalta o governador Cláudio Castro.
Outro registro mostra o sargento Walner Santana, do Batalhão de Ações com Cães (BAC), sendo atingido por disparos antes de chegar à área de mata. As câmeras corporais mostram colegas tentando conter o sangramento e pedindo reforço enquanto permaneciam sob fogo inimigo. Um grupo maior se juntou à equipe e utilizou lonas para improvisar uma maca, conseguindo retirar o policial do local após mais de uma hora de resgate. Santana recebeu atendimento ainda durante o deslocamento.
Entre os agentes que perderam a vida na megaoperação estão o sargento da Polícia Militar Heber Carvalho da Fonseca, além dos policiais civis Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, de 51 anos, e Rodrigo Velloso Cabral, de 34. Todos morreram em confrontos com traficantes fortemente armados durante a ação.
“Nossos combatentes tombaram como heróis, lutando para proteger a vida de seus companheiros e da sociedade. Não podemos naturalizar a presença de armas de guerra nas mãos de criminosos. Uma frase que ficou marcada em nossa tropa nesta operação, dita pelo sargento Heber, uma das vítimas, resume o espírito da ação: ‘Ninguém vai parar a gente.’ É exatamente o que essas imagens mostram. Continuaremos nossas operações em defesa da população com técnica, inteligência, estratégia e sempre dentro da lei”, afirma o secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes.