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Segurança Pública

Operação desarticula esquema de armas produzidas em impressoras 3D

Redação | Publicado em: - Atualizado 8 meses atrás

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Uma ação conjunta da Polícia Civil do Rio de Janeiro, do Ministério Público do Estado (MPRJ) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública foi deflagrada nesta quinta-feira (12) para desarticular um grupo interestadual suspeito de fabricar e vender armamentos produzidos com impressoras 3D. A operação, chamada Shadowgun, mira uma rede que atuava na produção e distribuição desse tipo de equipamento.

Até o momento, quatro criminoso foram presos. Entre eles, o apontado como chefe da quadrilha, encontrado em Rio das Pedras (SP).

As investigações são conduzidas pela 32ª DP (Taquara) em parceria com o Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (CyberGaeco/MPRJ). Segundo os investigadores, o grupo fabricava e vendia principalmente carregadores de armas de fogo feitos por impressão 3D. Além disso, também divulgava projetos de “armas fantasmas”, armamentos sem identificação ou rastreamento.

Os investigados devem responder na Justiça por organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.

As ordens judiciais estão sendo executadas na Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.

Funcionamento do esquema

De acordo com a investigação, o principal produto disseminado pela organização era o projeto de uma arma semiautomática produzida em impressora 3D. O material era acompanhado por um manual técnico detalhado e por um manifesto com conteúdo ideológico defendendo a liberação ampla do porte de armas.

A polícia afirma que o responsável pela organização seria um engenheiro com formação em controle e automação. Utilizando identidade falsa, ele divulgava nas redes sociais vídeos de testes balísticos, melhorias no design das peças e orientações sobre ajustes e montagem do armamento.

O suspeito também produziu um manual com mais de 100 páginas explicando o processo de fabricação. O documento permitia que pessoas com conhecimento intermediário em impressão 3D conseguissem montar as armas utilizando equipamentos relativamente baratos e em ambiente doméstico.

Segundo os investigadores, o conteúdo circulava em redes sociais, fóruns especializados e também na chamada “dark web”. Para financiar as atividades, o grupo utilizava transações com criptomoedas.

Organização do grupo

A força-tarefa identificou outros três integrantes que participavam do esquema, cada um com funções específicas. Entre as atribuições estavam suporte técnico aos compradores, divulgação de conteúdo e articulação ideológica, além da criação de material de propaganda e identidade visual.

Para a polícia, a estrutura do grupo demonstrava divisão clara de tarefas e reunia conhecimentos em engenharia, impressão 3D e segurança digital para viabilizar a fabricação e a distribuição do material.

As investigações apontam que os produtos foram negociados com 79 compradores entre 2021 e 2022. Os clientes estão espalhados por 11 estados e, segundo a apuração, muitos possuem antecedentes criminais, principalmente por tráfico de drogas e outros crimes graves.

Os investigadores também apuram se os equipamentos foram utilizados por organizações criminosas, incluindo grupos ligados ao tráfico de drogas e milícias. Um dos compradores, por exemplo, está preso após ser flagrado com grande quantidade de armas e munições.

No estado do Rio de Janeiro, foram identificados dez compradores em municípios como São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia, Armação dos Búzios e na capital, nos bairros do Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca.

As diligências contam com o apoio das Polícias Civis de diversos estados do país.

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