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A ‘Operação Trinus’, deflagrada pelas polícias Civil e Militar do Estado do Rio, nesta quarta-feira (10), terminou com 25 criminosos presos, além de apreender um arsenal composto por cinco fuzis e duas pistolas, além de carregamentos de drogas e quantias em dinheiro em espécie. A ofensiva mirou diretamente a estrutura logística e financeira da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP), que detém o controle de parte do Complexo da Maré, localizado na Zona Norte da capital fluminense. A ação é o desfecho de meses de investigações conduzidas pela Delegacia de Bonsucesso (21ª DP), focadas em desmantelar os diferentes núcleos que sustentam o domínio territorial da organização na região.

A operação também resultou na recuperação de 49 veículos roubados, sendo 27 carros e 22 motos. Em paralelo, as equipes localizaram três estufas climatizadas voltadas para o cultivo de maconha, onde eram mantidas cerca de 300 mudas da planta.

O complexo esquema financeiro do TCP na Maré

O monitoramento de inteligência revelou que as atividades do grupo criminoso extrapolavam o comércio ilícito de entorpecentes. Conforme detalhado nos relatórios policiais, foi identificado um complexo esquema de roubo de cargas na Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela. Além de lavagem de capitais, somado a uma rede estruturada para o roubo e a receptação de aparelhos celulares. Os mandados também miraram alvos da facção ligados a crimes de pornografia infantil, violência doméstica e delitos patrimoniais diversos.

Outra frente das investigações também apontou que a facção exerce controle econômico sobre serviços essenciais dentro das comunidades, monopolizando atividades como venda de gás, fornecimento de água e acesso à internet.

A facção criminosa também utilizava baile funk dentro da Vila do João como ferramenta estratégica para o crime organizado. O local era utilizado para circulação de dinheiro, venda de produtos, fortalecimento da imagem das lideranças e escoamento dos produtos roubados. As apurações revelaram ainda registros de criminosos armados com fuzis durante o evento.

Assaltos planejados

De acordo com os policiais civis, assaltos não eram ações isoladas, mas parte de uma estrutura organizada pela facção. Os bandidos atuavam sob ordens diretas do responsável pelo gerenciamento operacional dos roubos da facção. Eles possuíam armas, motos e metas objetivas de arrecadação, exigindo um número determinado de aparelhos desbloqueados por roubo. As vítimas eram abordadas e coagidas por criminosos armados e deslocavam os celulares durante o assalto. A precificação era definida pela própria facção: aparelhos desbloqueados valiam até R$ 2,5 mil, enquanto aparelhos bloqueados eram avaliados entre R$ 300 e R$ 600.

Fazenda de criptomoedas

Equipes localizaram três estufas climatizadas voltadas para o cultivo de maconha, onde eram mantidas cerca de 300 mudas da planta. Imagens: PCERJ

Entre os principais desdobramentos econômicos da operação, destaca-se a descoberta de uma fazenda de criptomoedas ativa, utilizada pelo grupo para dissimular transações financeiras. Os agentes também fecharam uma central de golpes telefônicos que mirava, prioritariamente, idosos e pensionistas, e um depósito clandestino que estocava milhares de mercadorias roubadas. Os insumos eram destinados ao abastecimento do comércio ilegal gerido pela própria facção.

As buscas se estenderam a um centro comercial mantido pela organização criminosa na comunidade. No estabelecimento, funcionava uma loja de telefonia onde foram apreendidos aparelhos com registro de roubo, além de pontos de venda de cigarros eletrônicos contrabandeados e réplicas de produtos de marcas famosas, todos falsificados.

Segundo a Polícia Civil, todo o material confiscado foi encaminhado à perícia e será integrado ao inquérito principal. O objetivo das autoridades é aprofundar as investigações em andamento para neutralizar por completo as fontes de receita e o fluxo de capital que financiam a cúpula da facção na Zona Norte.

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