
A morte de um dos traficantes mais antigos do Comando Vermelho marcou uma operação da Polícia Militar (PM) realizada na manhã desta quarta-feira (18) em comunidades da região central do Rio. Carlos Augusto dos Santos, conhecido como Jiló dos Prazeres, de 55 anos, foi baleado durante um confronto e não resistiu após ser levado ao Hospital Municipal Souza Aguiar (HMSA).
A ação, coordenada pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), teve como alvo integrantes de uma organização criminosa suspeita de atuar em roubos de veículos e no tráfico de drogas. Ao todo, oito homens apontados como traficantes morreram durante a operação, que também deixou dois policiais feridos.
Segundo a PM, mais de 150 agentes participaram da ofensiva, com apoio de
blindados, nas comunidades dos Prazeres, Fallet, Fogueteiro, Coroa, Escondidinho e Paula Ramos. Durante o avanço das equipes, houve registros de barricadas, incêndio de ônibus e tentativas de bloqueio de vias por criminosos. Cinco pessoas foram presas por atos de vandalismo.
Traficante líder do morro
Apontado como liderança do tráfico no Morro dos Prazeres, Jiló acumulava 135 anotações criminais e tinha diversos mandados de prisão em aberto. Ele era investigado por crimes como homicídio, sequestro e tráfico de drogas, além de ser citado em investigações desde a década de 1990. Também era suspeito de participação na morte do turista italiano Roberto Bardella, baleado em 2016 ao entrar por engano na comunidade.
De acordo com a polícia, outros seis suspeitos morreram após invadirem uma casa e fazerem um casal refém durante a operação. Eles teriam sido baleados em um confronto dentro do imóvel, onde também morreu o morador.
Armas e drogas foram apreendidas, incluindo dois fuzis, pistolas e revólveres.
Família de morador contesta versão da PM
A versão apresentada pela polícia sobre o confronto dentro da residência é contestada por familiares de uma das vítimas. A mulher do ajudante de cozinha Leandro Silva Souza afirmou que não houve troca de tiros e que os suspeitos pretendiam se entregar.
Segundo ela, os homens que estavam na casa não ameaçaram o casal e teriam dito que aguardariam a chegada da polícia para se render. A mulher relatou que os agentes entraram no imóvel atirando, após explodirem a porta com uma granada.
“Em momento algum a gente foi feito de refém. Não fomos ameaçados. Eles falaram assim ‘tia, não se preocupe, se a polícia vim a gente vai se entregar, mas fica calada, a gente vai se entregar’”, contou Roberta na porta do Instituto Médico-Legal (IML), para onde o corpo do marido foi levado.
De acordo com o relato, o marido chegou a avisar que havia moradores no local, mas foi atingido. “A polícia derrubou a porta da minha casa com uma granada. Arrebentou a porta da minha casa com uma granada e já entrou atirando, não teve troca de tiros. Os três elementos que tavam dentro do meu quarto foram mortos sem reagir também. O meu marido ainda gritou ‘tem trabalhador aqui, tem morador’. Mas a polícia já entrou atirando”, detalhou.
Um vídeo feito após a ação mostra cápsulas espalhadas e marcas de tiros no interior da casa.
Posição da PM
A Polícia Militar sustenta que seis criminosos invadiram a residência para se esconder e fizeram o casal refém. Segundo a corporação, houve tentativa de negociação antes do confronto.
De acordo com o comando do Bope, disparos teriam sido feitos de dentro do imóvel, atingindo o morador e um policial. A partir disso, os agentes reagiram e neutralizaram os suspeitos.
A Secretaria de Polícia Militar reforçou que a intervenção ocorreu após reação armada dos criminosos.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que deve ouvir testemunhas e apurar as circunstâncias das mortes.