“Ele me pegou de frente e, sem falar nada, já começou a me agredir.” O relato inédito de Alana Anísio Rosa, de 20 anos, na primeira audiência do caso, revela em detalhes o ataque brutal que sofreu dentro de casa, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, após recusar um relacionamento. A jovem foi esfaqueada mais de 15 vezes no dia 6 de fevereiro, crime investigado como tentativa de feminicídio.
Durante o depoimento no Fórum Regional de Alcântara, no último dia 15 de abril, Alana descreveu os momentos de terror.
“Eu não consegui enxergar o que era, só vi que ele estava de luvas pretas e parecia ter alguma coisa perfurante, porque eu sentia que ele realmente estava me furando. Ele começou diretamente na minha face, no meu nariz, na minha bochecha e logo no meu pescoço”, contou.
A vítima afirmou que ficou encurralada dentro da própria casa enquanto era atacada.
“Eu sentia tudo durante a agressão. […] Eu fiquei encurralada entre o sofá e o móvel. E ele não parava. Eu continuei gritando e ele me agredindo sem parar”, disse. Segundo ela, o agressor não falou nada durante toda a ação e estava com o rosto à mostra. A sessão de horror só terminou após a chegada da mãe da vítima.
O acusado, que está preso, apresentou uma versão diferente e alegou falta de memória após ser rejeitado.
“Ela me deu um fora e falou ‘se enxerga’. Aí não sei o que aconteceu, pulei o muro e depois não recordo de mais nada”, declarou em audiência. Ele admitiu que carregava um canivete no dia: “Eu estava com meu canivete de chaveiro, sempre andava com esse canivete no short, na bermuda, normalmente […] Eu fui pra casa, foi uma sensação muito estranha […] Deu um apagão e quando eu fui ver estava descendo com os policiais na viatura.”
Ainda segundo o depoimento, ele só voltou a lembrar de momentos após o crime. “O único momento de que me recordo é quando a mãe dela entra em casa e eu, todo ensanguentado, comecei a chorar. Eu falei ‘perdão’”, afirmou.
Alana ficou quase um mês internada na Clínica São Gonçalo, onde passou por várias cirurgias. Ela recebeu alta no dia 4 de março e segue em recuperação em casa. Pelas redes sociais, a jovem e familiares dela clamam por justiça e pedem que o caso continue mobilizando a sociedade enquanto o processo avança.