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Carbono Neutro – NÃO ESTÁ PRONTO

André Silva | Publicado em:

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A busca pelo carbono neutro é considerada uma das principais estratégias para mitigar os impactos das mudanças climáticas e combater o aquecimento global. O conceito de neutralizar as emissões de carbono envolve calcular e compensar a quantidade de gases de efeito estufa (GEE) liberados na atmosfera, promovendo práticas mais sustentáveis.

Organizações e indivíduos têm adotado cada vez mais ações para atingir esse objetivo, como o plantio de árvores e o uso de energias renováveis. Nesse cenário, o programa “Educação & Consciência Climática”, coordenado pelo biólogo Ricardo Harduim, se destaca por envolver a população e as empresas no processo de compensação de carbono.

Em entrevista exclusiva ao ENFOCO, Harduim compartilha sua visão sobre como as emissões podem ser neutralizadas e como a conscientização tem sido fundamental nesse processo.

O “Educação & Consciência Climática” é uma das iniciativas de sua carreira, visando capacitar e sensibilizar cidadãos e empresas sobre a importância de reduzir a pegada de carbono e adotar práticas mais ecológicas.

O programa trabalha diretamente com a compensação de carbono, focando em ações como o plantio de árvores e a instalação de sistemas de energia solar fotovoltaica.

“Com esse programa, buscamos ensinar as pessoas a calcular as emissões e adotar formas de compensá-las, fazendo com que a neutralização se torne uma realidade”, explica Harduim.

O biólogo detalha que, embora o objetivo de uma sociedade totalmente livre de carbono seja desejável, é muito difícil alcançar o “Carbono Zero” com o modelo de vida atual.

“É praticamente impossível atingirmos o Carbono Zero. Isso significaria não emitir nenhum gás do efeito estufa, o que é muito difícil devido ao uso de combustíveis fósseis, como no transporte e até no gás de cozinha. O que podemos, e devemos, buscar é o Carbono Neutro, que consiste em compensar as emissões”, afirma Harduim.

A compensação pode ser feita por meio do plantio de árvores, que sequestram o carbono da atmosfera, ou pela instalação de sistemas solares, que diminuem a dependência de fontes de energia poluentes.

De acordo com Harduim, o processo de neutralização de carbono não é apenas uma questão de responsabilidade ambiental, mas também de compromisso social. Ele destaca o importante papel das árvores no sequestro de carbono, através da fotossíntese, processo que captura o carbono e o armazena na biomassa das plantas.

“As árvores têm um papel crucial no ciclo do carbono. Elas não apenas removem o gás carbônico da atmosfera, mas também geram benefícios para as comunidades, como a regulação do clima local, a preservação da biodiversidade e o fornecimento de sombra”, explica.

O biólogo também alerta que a desinformação é um dos maiores obstáculos para alcançar a neutralização de carbono.

“Muitas pessoas ainda não compreendem o impacto que suas ações diárias têm no meio ambiente. O aumento dos eventos climáticos extremos, como enchentes e secas, são evidências claras de como as mudanças climáticas já estão afetando nossas vidas”, observa.

A educação ambiental, especialmente nas escolas, ainda é um desafio, pois a conscientização sobre o aquecimento global ainda está distante da realidade de muitas regiões.

Harduim também compartilha a experiência do “Selo Prima Mudanças Climáticas”, uma certificação destinada a empresas que buscam neutralizar suas emissões. O selo é concedido após um processo rigoroso de cálculo das emissões de GEE de uma organização e é renovado anualmente, com base nas metas de redução de emissões.

“O Selo Prima é uma forma de incentivar as empresas a se comprometerem com a neutralização das emissões. Ele ajuda a mostrar que, ao tomarmos decisões conscientes e compensarmos nossas emissões, podemos contribuir para um futuro mais sustentável”, explica o biólogo.

Ele também recomenda que cada indivíduo adote pequenas ações no seu dia a dia para reduzir as emissões de carbono, como economizar energia elétrica, utilizar o transporte público e evitar o desperdício de alimentos.

“As mudanças começam a partir de atitudes simples, como a compostagem e o uso responsável dos recursos naturais. Não é preciso realizar grandes mudanças de uma vez, mas, com o tempo, essas atitudes podem fazer uma grande diferença”, afirma Harduim.

Além disso, ele destaca que o papel das empresas e dos governos é fundamental para atingir metas mais ambiciosas na neutralização do carbono.

“Embora ações individuais sejam importantes, é o papel das grandes organizações e governos que determinará se conseguiremos realmente combater as mudanças climáticas. Elas têm o poder de influenciar a sociedade e impulsionar práticas sustentáveis em larga escala”, conclui o biólogo.

Harduim reforça que a neutralização de carbono é uma responsabilidade de todos, e que cada um pode contribuir para a construção de um planeta mais equilibrado e saudável.

“É essencial que mais pessoas se envolvam com a causa e compreendam que nossas ações de hoje impactam o futuro. Juntos, podemos mitigar os efeitos das mudanças climáticas e garantir um legado mais sustentável para as futuras gerações”, finaliza.

André Silva

Bastante ativo na cobertura cultural, ja foi contemplado com o Prêmio Themis de Jornalismo, concedido pelo TJRS. Além da cultura, caminha por várias editorias, inclusive em cobertura de eventos internacionais, como a Cúpula do G20 e o encontro dos Brics. Instagram: @andrre.sillva

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