A Justiça de São Paulo encerrou o processo criminal contra o jornalista Luan Araújo, que havia sido condenado por injúria e difamação após publicar um texto crítico à ex-deputada federal Carla Zambelli. A decisão foi proferida nesta segunda-feira (15) pelo juiz José Fernando Steinberg, do Juizado Especial Criminal, após a quitação da multa aplicada ao réu.
Araújo havia sido condenado em razão de um artigo publicado no site Diário do Centro do Mundo, no qual se referia à então parlamentar e a seus apoiadores em termos considerados ofensivos pela Justiça. A pena inicialmente estabelecida em regime aberto foi posteriormente convertida em uma multa de R$ 2.216,30.
Segundo a defesa do jornalista, o pagamento não foi realizado de imediato devido à falta de condições financeiras. Em razão da pendência, a Justiça chegou a determinar sua prisão no início deste mês. Nas semanas seguintes, familiares, amigos e apoiadores organizaram uma arrecadação virtual para reunir o valor necessário.
Com a multa quitada, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) informou que a pena foi considerada integralmente cumprida. Com isso, o magistrado declarou extinta a punibilidade de Araújo e determinou o arquivamento do caso.
O episódio que deu origem ao texto publicado pelo jornalista remonta ao período eleitoral de 2022. Na ocasião, Carla Zambelli perseguiu Araújo pelas ruas da Zona Sul da capital paulista empunhando uma arma de fogo, após uma discussão entre os dois.
Relembre o caso
O confronto ocorreu na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Durante uma discussão em uma rua da Zona Sul de São Paulo, Carla Zambelli sacou um revólver e correu atrás de Luan Araújo. As imagens da cena tiveram ampla repercussão nacional.
O caso foi analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou a então deputada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. A pena fixada foi de cinco anos e três meses de prisão.
Posteriormente, Zambelli também foi condenada a dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), processo que resultou na perda de seu mandato parlamentar.
Após deixar o Brasil, a ex-deputada passou a viver na Itália. Na semana passada, a Justiça italiana rejeitou um pedido de extradição apresentado pelas autoridades brasileiras.