O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli voltou a ser alvo de polêmica nesta quinta-feira (22), após a repercussão envolvendo o luxuoso resort Tayayá, na divisa entre Paraná e São Paulo. A frequencia do ministro, ligações de familiares com a propriedade, e até os serviços oferecidos pelo espaço, entraram no centro do debate político e jurídico nacional.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o resort opera em um modelo de cotas imobiliárias. A unidade mais acessível, chamada Aqua Luxo, custa cerca de R$ 154 mil. Já as residências mais sofisticadas, localizadas na vila Ecoview, ultrapassam R$ 750 mil por cota. Cada casa possui 13 cotistas e permite que cada sócio leve até quatro pessoas durante a hospedagem. Para visitantes sem cota, as diárias partem de R$ 1,2 mil.
Resort luxuoso
A estrutura inclui hotel com spa, sauna, academia, restaurantes temáticos, centro de eventos, quadras esportivas, heliponto, áreas infantis e acesso direto ao lago da represa do rio Itararé, onde os hóspedes praticam esportes aquáticos. À noite, funciona um minicassino operado pela plataforma Apostou, empresa de apostas esportivas regulamentada no Paraná. De acordo com a companhia, os jogos são auditados pelas Loterias do Estado do Paraná (Lottopar).
Quando se hospeda no Tayayá, Dias Toffoli fica nas casas Ecoview, as mais luxuosas do complexo. As residências possuem três suítes, sala, cozinha e varanda com piscina privativa, muitas delas com vista para a represa. O ministro utiliza ainda um barco exclusivo do resort para passeios pelo lago. Seu irmão, José Eugênio Toffoli, também mantém uma casa no local e, em determinado período, teria participado da administração do empreendimento.
Entre 2021 e 2025, o controle do resort foi dividido entre os irmãos José Eugênio e José Carlos Toffoli, através da empresa Maridt Participações, e o fundo de investimentos Arleen, ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Atualmente, o proprietário do resort é o advogado Paulo Humberto Barbosa, que adquiriu, em fevereiro de 2025, a participação da Maridt, vendida pelos irmãos do ministro, em uma negociação estimada em R$ 3,5 milhões, conforme apuração da Folha de S.Paulo.
Polêmica da cunhada

A polêmica ganhou novos contornos após reportagem de O Estado de S. Paulo revelar que Cássia Pires Toffoli, cunhada do ministro, mora no endereço registrado como sede da Maridt Participações, em Marília (SP). Acontece que o imóvel de apenas 130 metros quadrados apresenta sinais de deterioração e foi adquirido em 1998 por R$ 27 mil, financiado pela Caixa Econômica Federal.
Conexão Maridt e Master
A Maridt chegou a deter um terço do resort Tayayá. Em 2021, metade dessa participação vendida ao fundo Arleen, do empresário Fabiano Zettel, pastor e cunhado de Daniel Vorcaro, dono do banco Master. Zettel foi preso pela Polícia Federal na semana passada, no âmbito das investigações sobre fraudes envolvendo o banco e negócios com o BRB.
O caso se entrelaça com outra controvérsia: a condução, por Toffoli, de processos ligados ao Banco Master no STF. Em dezembro, o ministro reivindicou a investigação que tramitava na Justiça Federal de Brasília, após pedido da defesa de Vorcaro. O banqueiro havia sido preso em novembro e solto dez dias depois.