A apresentação da Força Armada da Guarda Municipal do Rio, nesta quarta-feira (4), foi marcada por recados políticos do prefeito Eduardo Paes (PSD). Em meio ao detalhamento do início das operações da nova tropa, previsto para março, o chefe do Executivo carioca aproveitou o evento para cobrar o governador Cláudio Castro (PL) e criticar políticos que, segundo ele, exploram o tema da segurança pública como palanque, mas não enfrentam a realidade das ruas.
Durante a cerimônia, que exibiu armamentos, viaturas, uniformes e equipamentos da Divisão de Elite da Guarda Municipal, Paes voltou a afirmar que a responsabilidade constitucional pela segurança pública é do governo estadual. Segundo ele, a iniciativa da prefeitura busca atuar de forma complementar às forças policiais, especialmente à Polícia Militar, com o uso de armamento letal apenas em situações extremas, conforme destacou o prefeito.
Ao ser questionado sobre como se dará essa integração, o prefeito afirmou que ainda aguarda uma reunião com o governador para tratar do assunto.
“Tenho solicitado há algum tempo uma audiência com o governador para que possamos trabalhar em conjunto. Ainda não consegui esse encontro, mesmo após meses de pedidos”, afirmou Paes, em tom de crítica. “A tarefa da segurança pública é do governador, não do prefeito. O que queremos é ajudar, liberando a Polícia Militar para atuar onde só ela pode agir”, completou.
As declarações ocorrem em meio a um momento de tensão entre a prefeitura e o Palácio Guanabara sobre a criação da Força Municipal armada. Apesar de, nos bastidores, Paes e Castro manterem um acordo de não agressão por conta das articulações eleitorais de 2026, o tema da segurança tem exposto divergências públicas entre os dois lados.
Críticas
No discurso, Paes também direcionou críticas a políticos que adotam uma retórica de enfrentamento ao crime, mas que, segundo ele, estão distantes da realidade da violência cotidiana e se envolvem com organizações criminosas. Sem citar nomes diretamente, o prefeito mencionou um episódio recente envolvendo o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, alvo de operação da Polícia Federal.
“Tivemos um exemplo recente da Polícia Federal, que prendeu o presidente da Alerj”, disse Paes, em referência à Operação Unha e Carne, na qual Bacellar é suspeito de ter vazado informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025, que resultou na prisão do então deputado estadual TH Joias.
O prefeito ainda afirmou que muitos dos que exploram o medo da população com frases de efeito vivem protegidos por carros blindados e escoltas armadas.
“É fundamental deixar claro que vamos continuar fugindo dessa lógica da demagogia, do jogo barato do ‘tiro na cabecinha’, de frases de efeito que, em geral, não resultam e não geram os resultados esperados”, declarou.
Segundo o prefeito, esse tipo de discurso costuma partir de políticos que andam escoltados e em carros blindados, distantes da realidade cotidiana da população.
“Em geral, são pessoas que andam cercadas de proteção, com agentes cuidando da sua integridade física, sem correr qualquer risco real”, declarou.
Força Municipal
A Força Municipal armada será composta inicialmente por 600 agentes e terá como foco o combate a roubos e furtos. Os guardas utilizarão pistolas calibre 9 milímetros, além de equipamentos de menor potencial ofensivo, como armas de choque, tonfas e sprays de gás. As equipes atuarão a partir de três bases: Leblon, Piedade e Campo Grande.
Segundo o diretor-geral da Divisão de Elite, Brenno Carnevale, as áreas de patrulhamento serão definidas com base na análise de manchas criminais. Os agentes também utilizarão câmeras corporais e serão monitorados em tempo real, com acompanhamento a partir do Centro de Operações e Resiliência do Rio (COR-Rio).
Com orçamento anual estimado em R$ 280 milhões, a nova força contará com 118 veículos, entre motocicletas, vans e caminhonetes, e atuará de forma motorizada e a pé, em duplas ou trios, em ações de patrulhamento preventivo e ostensivo.