Após impasse envolvendo interesses políticos e disputas internas na corporação, o coronel Sylvio Ricardo Ciuffo Guerra foi definido, nesta sexta-feira (20), como novo secretário da Polícia Militar do Rio (PMERJ). A escolha ocorre depois da saída de Marcelo de Menezes, que deixou o cargo para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa (Alerj).
De acordo com a colunista Berenice Seara, do “Tempo Real”, a definição pelo nome de Guerra foi resultado de negociações que buscavam um oficial sem vínculos com grupos internos da PM ou articulações políticas externas. A avaliação no entorno do governo era de que a escolha deveria evitar influência sobre a tropa em meio ao período eleitoral.
Guerra estava, desde 2025, na subsecretaria de Comando e Controle da corporação. Antes, comandou por quatro anos o 4º Comando de Polícia de Área (CPA), responsável por batalhões estratégicos da Região Metropolitana, como o 12º (Niterói), 7º (São Gonçalo), 35º (Itaboraí) e 25º (Cabo Frio).
Durante sua gestão no 4º CPA, a unidade liderou por três vezes o ranking de metas do Instituto de Segurança Pública (ISP), com indicadores de redução de criminalidade e aumento de produtividade policial.
A troca no comando da secretaria foi marcada por resistência de deputados da base governista ligados à área de segurança. Parlamentares atuaram para impedir que Menezes indicasse sua sucessora, sob o argumento de que a permanência de um nome alinhado ao ex-secretário poderia manter sua influência sobre um contingente de mais de 50 mil policiais militares.
Nos bastidores, a avaliação era de que esse cenário poderia impactar o equilíbrio da disputa eleitoral.
Menezes defendia a nomeação da chefe de gabinete, coronel Gabryela Dantas, para o cargo. Ex-porta-voz da PM, ela foi exonerada em 2020 após a publicação de um vídeo nas redes sociais da corporação com críticas a um repórter dos jornais “O Globo” e “Extra”. Posteriormente, assumiu o comando do 23º BPM (Leblon), e ocupou funções como assessora jurídica e diretora geral de Odontologia da PM.
Trajetória do Guerra na corporação
Em agosto de 2025, Guerra deixou o comando do 4º CPA, após quatro anos à frente da unidade. Na ocasião, ele foi nomeado subsecretário de Comando e Controle da Polícia Militar. O posto no 4º CPA passou a ser ocupado pelo coronel Luiz Otávio, que assumiu a condução das operações e diretrizes policiais nos três municípios.
Ao longo da carreira, Guerra acumulou passagens por funções de comando na região. Antes do CPA, esteve à frente do 12º BPM por dois anos e sete meses, período em que liderou ações voltadas ao enfrentamento da criminalidade e à articulação com a sociedade civil.
Durante a despedida do cargo, o oficial destacou o período à frente da unidade e mencionou o tempo de permanência no posto. “Valeu a pena ter deixado a família em segundo plano com entendimento dela para que eu pudesse chegar aqui e apresentar o que foi apresentado. Estou muito orgulhoso, honrado e feliz por ter passado por esta unidade”, afirmou.
Ele também citou a continuidade no comando mesmo com mudanças na cúpula da corporação. “Passei por três comandantes-gerais, isto nunca existiu”, disse.
Além do período no 4º CPA, Guerra também registrou o maior tempo de comando do 12º BPM, com dois anos e sete meses à frente do batalhão.
Dificuldades no 4ª CPA
Sobre as dificuldades para alcançar a excelência, Guerra pontuou como principal abdicar de momentos da vida pessoal em prol do trabalho.
Em relação ao trabalho em si, ele destacou um episódio recente ocorrido no início deste ano: o aumento do roubo de veículos em São Gonçalo. “Tivemos que fazer um planejamento muito robusto para voltar aos números anteriores”, disse sem deixar de elogiar seu sucessor.