O aumento da renda média dos brasileiros em 2025 indica um cenário de recuperação gradual das condições econômicas das famílias, ainda marcado por diferenças expressivas entre as regiões do país. O rendimento domiciliar per capita chegou a R$ 2.316 no ano, consolidando uma trajetória de crescimento observada desde 2022.
Os dados foram divulgados na sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram avanço em relação a 2024, quando a média havia sido de R$ 2.069. Em 2023, o valor registrado foi de R$ 1.893, e, em 2022, de R$ 1.625, o que evidencia uma recomposição progressiva do poder de renda após os anos mais críticos da pandemia.
Apesar da melhora nacional, o levantamento revela contrastes relevantes no padrão de vida entre as unidades da federação. O rendimento variou de R$ 1.219 no Maranhão a R$ 4.538 no Distrito Federal, maior resultado do país. Nove estados, além do DF, superaram a média nacional, com destaque para São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
Diferenças que refletem o cotidiano
A renda domiciliar per capita é calculada pela divisão do total de rendimentos recebidos por todos os moradores de um domicílio pelo número de pessoas que vivem nele. Entram nessa conta salários, aposentadorias, benefícios e outras fontes de receita. Também são considerados pensionistas, empregados domésticos e parentes que residem no local.
O indicador funciona como um termômetro das condições reais de vida, pois expressa quanto cada indivíduo, em média, dispõe para gastos com moradia, alimentação, transporte e consumo cultural. Por isso, é utilizado tanto em análises socioeconômicas quanto na definição de políticas públicas.
Além de retratar o padrão de renda da população, os números atendem a exigências legais relacionadas à distribuição de recursos federais. As informações são utilizadas no cálculo dos critérios do Fundo de Participação dos Estados, mecanismo que orienta transferências constitucionais e que envolve acompanhamento do Tribunal de Contas da União (TCU).
Pesquisa voltou ao padrão após a pandemia
O IBGE também destacou que a metodologia voltou à normalidade depois das adaptações necessárias durante a crise sanitária. Em 2020 e 2021, as restrições de circulação afetaram a coleta de dados presenciais, reduzindo o aproveitamento das entrevistas. Para contornar as perdas, foram usadas visitas adicionais aos domicílios, procedimento excepcional mantido até 2022.
Com a recomposição das amostras a partir de 2023, a pesquisa retornou ao modelo tradicional, baseado nas primeiras visitas feitas ao longo dos quatro trimestres do ano. Esse restabelecimento permitiu maior comparabilidade e estabilidade estatística.
“A partir de 2023, com o retorno aos níveis de aproveitamento das amostras, o cálculo do rendimento domiciliar per capita volta a ter como referência o banco de primeira visita aos domicílios”, concluiu o IBGE.

Retrato em movimento
Realizada continuamente desde 2012, a pesquisa acompanha não apenas a renda, mas também transformações no mercado de trabalho e na dinâmica social brasileira. A evolução recente sugere melhora no fluxo de rendimentos, ainda que o país mantenha um mapa desigual de oportunidades, aspecto que segue determinando experiências distintas de consumo, mobilidade e bem-estar entre os brasileiros.
Confira a renda mensal dos brasileiros
| Unidades da Federação | Rendimento nominal mensal domiciliar per capita da população residente (R$) |
|---|---|
| Brasil | 2.316 |
| Rondônia | 1.991 |
| Acre | 1.392 |
| Amazonas | 1.484 |
| Roraima(1) | 1.878 |
| Pará | 1.420 |
| Amapá | 1.697 |
| Tocantins | 2.036 |
| Maranhão | 1.219 |
| Piauí | 1.546 |
| Ceará | 1.390 |
| Rio Grande do Norte | 1.819 |
| Paraíba | 1.543 |
| Pernambuco | 1.600 |
| Alagoas | 1.422 |
| Sergipe | 1.697 |
| Bahia | 1.465 |
| Minas Gerais | 2.353 |
| Espírito Santo | 2.249 |
| Rio de Janeiro | 2.794 |
| São Paulo | 2.956 |
| Paraná | 2.762 |
| Santa Catarina | 2.809 |
| Rio Grande do Sul | 2.839 |
| Mato Grosso do Sul | 2.454 |
| Mato Grosso | 2.335 |
| Goiás | 2.407 |
| Distrito Federal | 4.538 |