Profissionais de saúde terceirizados que atuavam por meio de uma antiga empresa no Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ary Parreiras (IETAP), unidade administrada pelo Governo do Estado e localizada no Barreto, Zona Norte de Niterói, denunciam um novo atraso no pagamento de salários. Segundo os trabalhadores, a situação não é pontual e se repete há meses, incluindo também o não pagamento de direitos trabalhistas.
Eles relatam que já haviam enfrentado dificuldades com o salário de janeiro, que só foi quitado em 11 de março. Agora, afirmam que a situação se agravou: ainda não receberam o pagamento de fevereiro e seguem sem acesso às verbas rescisórias após o encerramento do contrato de trabalho.
A denúncia envolve a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, a Fundação Saúde e o Instituto de Desenvolvimento para Educação, Saúde e Integração Social (IDESI), empresa responsável pela gestão da unidade até 20 de março, quando deixou de atuar no local.
Após a mudança na administração, os profissionais foram reaproveitados pela nova empresa que passou a gerir o serviço, mas dizem que as pendências financeiras permanecem com a administração antiga.
“Diversos trabalhadores, incluindo enfermeiros, técnicos de enfermagem, assistentes sociais, nutricionistas, técnicos de radiologia, farmacêuticos, entre outros, encontram-se em situação extremamente grave”, denuncia uma ex-funcionária, que pediu anonimato.
Além do salário de fevereiro não ter sido pago, as verbas rescisórias, que deveriam ser quitadas em até 10 dias após o término do contrato, conforme determina a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), seguem em aberto, com o prazo legal já ultrapassado.
“As verbas rescisórias não foram quitadas, mesmo após o prazo legal já ter expirado. Nenhuma informação oficial ou previsão de pagamento foi apresentada aos funcionários. A situação tem gerado impactos severos na vida dos profissionais, que estão enfrentando dificuldades para honrar compromissos financeiros, garantir o sustento básico de suas famílias e manter condições dignas de vida”, ressalta a trabalhadora.
Outro ponto que agrava a situação é a ausência de qualquer posicionamento oficial. Os trabalhadores afirmam que não receberam explicações, prazos ou orientações sobre quando ou se os valores serão pagos.
“Trata-se de um cenário de total desrespeito com trabalhadores que dedicaram seus esforços ao cuidado da população, especialmente em uma área tão essencial como a saúde pública”, pontua a denunciante.
Procurada, a Fundação Saúde do Estado do Rio de Janeiro (FSERJ) informa que suspendeu, em 15 de março de 2026, os serviços prestados pelo Instituto de Desenvolvimento para Educação, Saúde e Integração Social (IDESI) no Instituto Estadual de Doenças do Tórax Ary Parreiras (IETAP), após identificar problemas operacionais que comprometeram o cumprimento de obrigações trabalhistas.
“Desde então, foram adotadas medidas administrativas para apurar os fatos e reduzir os impactos aos profissionais. Um processo específico foi aberto para viabilizar o pagamento direto aos trabalhadores, em caráter excepcional, conforme a legislação vigente. Os trâmites estão em andamento e sendo tratados com prioridade. A previsão é de regularização até 30/04/2026”, informa em nota.
A Fundação Saúde reforça que mantém fiscalização contínua dos contratos e adota as providências cabíveis sempre que identifica irregularidades.