A três dias do início dos desfiles da Série Ouro na Marquês de Sapucaí, escolas do grupo de acesso afirmam não ter qualquer garantia formal de repasse financeiro por parte do Governo do Estado do Rio de Janeiro para o Carnaval 2026. Segundo as agremiações, até esta terça-feira (10), não houve assinatura de contrato nem anúncio oficial que assegure a subvenção estadual, paga de forma regular nos últimos anos.
A reclamação ocorre após o governo estadual anunciar um patrocínio de R$ 40 milhões destinado exclusivamente às escolas do Grupo Especial. Para as agremiações da Série Ouro, a ausência de definição compromete a reta final da preparação dos desfiles e o pagamento de profissionais que atuam na produção do carnaval.
“As escolas dependem diretamente desses recursos para concluir seus carnavais e, sobretudo, para pagar seus trabalhadores”, diz o texto do apelo público divulgado pelas agremiações. “Costureiras, ferreiros, aderecistas, carpinteiros, soldadores, eletricistas, músicos, seguranças e inúmeros outros profissionais correm o risco de não receber pelo trabalho já realizado.”
Nos últimos carnavais, as escolas da Série Ouro contavam com dois contratos: um com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e outro com a Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj). O acordo com a secretaria foi cancelado, mas, segundo as escolas, houve a promessa de que os recursos seriam mantidos por meio da Funarj ou de outro órgão estadual.
“Até o momento, essa promessa não se concretizou. Não há contrato assinado, não há anúncio oficial e não há qualquer garantia para as agremiações”, afirmam as escolas na publicação.
No texto, as agremiações alertam para o impacto imediato da indefinição. “Muitas escolas não conseguirão concluir seus carnavais, não têm recursos para pagar seus funcionários e enfrentam o risco real de não conseguirem desfilar neste Carnaval”, diz outro trecho do apelo. “Toda a cadeia produtiva do Carnaval está sendo prejudicada.”
Algumas escolas, no entanto, confirmaram que irão desfilar. Em nota, a União de Maricá informou que está pronta para entrar na avenida. “A União de Maricá vai desfilar e está pronta para isso. O comunicado nas redes sociais é um apoio às demais escolas, que também não receberam o recurso do Governo do Estado”, afirmou a agremiação. A escola destacou ainda que recebe subvenção do município de Maricá, mas defendeu tratamento igualitário. “Entendemos que o apoio deve ser o mesmo para todas as escolas.”
A Porto da Pedra, escola de São Gonçalo, também confirmou participação nos desfiles. Já a União da Ilha do Governador informou que seu posicionamento é o apelo coletivo publicado nas redes sociais junto às demais agremiações da Série Ouro.
RioTur
Paralelamente ao impasse estadual, a Riotur, empresa municipal de turismo do Rio, autorizou o repasse de R$ 14.832.782,37 para a Série Ouro. O valor será transferido diretamente para a Liga RJ, que representa o grupo e fará a divisão dos recursos entre as 15 escolas participantes.
Mesmo com o repasse municipal, a verba destinada à Série Ouro segue inferior à do Grupo Especial, diferença que já foi motivo de disputas anteriores entre a Liga RJ e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).
Os desfiles da Série Ouro estão programados para os dias 13 e 14 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí.
O Enfoco procurou o Governo do Estado do Rio de Janeiro, mas, até a publicação desta matéria, não houve retorno.