A Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro determinou a prisão preventiva do capitão da Polícia Militar Alessander Ribeiro Estrella Rosa, investigado por suspeita de manter negociações com integrantes do Comando Vermelho. O oficial foi preso na tarde desta sexta-feira (6) dentro do 20º BPM (Mesquita), na Baixada Fluminense, durante ação da Corregedoria da corporação.
A decisão atendeu a um pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro. Segundo o MP, há indícios de que o capitão manteve contato com criminosos mesmo após ter sido beneficiado anteriormente por habeas corpus e submetido a medidas cautelares alternativas à prisão.
Para a Auditoria da Justiça Militar, a conduta atribuída ao policial representa ameaça à ordem pública e compromete princípios fundamentais da hierarquia e da disciplina militares. A decisão também cita o risco de prejuízo à instrução criminal, o que justificaria a necessidade da prisão preventiva.
Além da detenção, o Judiciário autorizou medidas de busca e apreensão e determinou a quebra do sigilo de dados telefônicos do capitão. De acordo com o Ministério Público, as providências têm como objetivo aprofundar as investigações e garantir a preservação das provas.
Negociação com traficantes
As suspeitas envolvendo Alessander Ribeiro vieram à tona no ano passado, após a divulgação, nas redes sociais, de um áudio atribuído ao capitão. No material, ele supostamente negocia com traficantes do Comando Vermelho a retirada de barricadas instaladas em comunidades de Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
Na ocasião, a Corregedoria da Polícia Militar informou que não havia denúncia formal registrada, mas que tomou conhecimento do conteúdo por meio das redes sociais. Mesmo assim, o oficial foi afastado preventivamente das funções operacionais e passou a exercer atividades administrativas.
As informações também foram encaminhadas ao Ministério Público Federal e ao MPRJ por meio de uma denúncia anônima, que deu origem a novas apurações sobre a conduta do capitão.
Preso em maio
Essa não é a primeira vez que Alessander se torna alvo de investigações. Em maio do ano passado, ele foi preso sob suspeita de integrar um grupo de extermínio conhecido como “Novo Escritório do Crime”, investigado por ao menos duas execuções realizadas à luz do dia e que teriam ligação com o jogo do bicho.
O caso segue sob apuração da Corregedoria da Polícia Militar e pode resultar na expulsão definitiva do capitão dos quadros da corporação. Em janeiro deste ano, o comandante-geral da PM, coronel Marcelo de Menezes, decidiu pela demissão ex officio do oficial, com base em processo disciplinar instaurado após as acusações.
A decisão ainda precisa ser analisada pelo governador Cláudio Castro (PL) para que a expulsão seja efetivada. Em nota publicada nas redes sociais, a Polícia Militar afirmou que o entendimento do comando foi de que o capitão “não se enquadra nos critérios técnicos de comportamento e conduta necessários para a permanência nos quadros da SEPM”.