Familiares de Alan de Souza Nascimento e testemunhas da abordagem policial que terminou com o jovem morto a tiros na BR-101, em São Gonçalo, são ouvidos na manhã desta terça-feira (24), na sede da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG). Este já é o segundo depoimento que uma das testemunhas presta.
Segundo a Polícia Civil, os novos depoimentos foram solicitados porque há informações que não constavam no registro realizado na DHNSG, no sábado (21).
Os depoimentos começaram por volta das 10h40. Antes de ser ouvida, uma testemunha que preferiu não se identificar disse que quer Justiça pela morte de Alan.
“Espero que a Justiça seja feita. Porque Alan, desde quando eu o conheço, sei que ele foi trabalhador. Uma pessoa ou duas, não sei o que estavam fazendo ali, filmaram exatamente a hora em que a polícia chega. Mostra que, em determinado momento, não houve troca de tiros, apenas os policiais vindo e efetuando disparos”, disse.
Dona Maria Luísa de Souza, mãe de Alan, muito abalada pela perda do filho, não se sentiu bem e precisou ser amparada pelo companheiro na recepção da delegacia.
O que diz a Polícia Militar
A Polícia Militar informou que, segundo o comando do Rondas Especiais e Controle de Multidão, no sábado (21), policiais militares, em apoio ao 7º BPM (São Gonçalo), durante patrulhamento especial na BR-101, foram acionados para verificar uma ocorrência de arrastão na rodovia, na altura do Boaçu, em São Gonçalo.
No local, de acordo com os agentes, indivíduos realizavam assaltos e, ao perceberem a aproximação da equipe, efetuaram disparos de arma de fogo contra os policiais, o que desencadeou confronto. Ao cessarem os tiros, os envolvidos fugiram.
Com a área já estabilizada, os policiais localizaram Alan ferido, aparentemente por perfuração de arma de fogo (PAF). Ele foi socorrido em direção ao Hospital Estadual Alberto Torres. Durante o trajeto, uma ambulância que passava pela via iniciou os primeiros atendimentos, mas o homem não resistiu aos ferimentos e veio a óbito. Após consulta, foi constatado que o indivíduo possuía anotações criminais por roubo e lesão corporal.
O que diz a Polícia Civil
A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) foi acionada e instaurou inquérito para apurar a morte de Alan. A perícia foi realizada no local, e as equipes seguem com diligências, incluindo a coleta de depoimentos e a análise de elementos informativos, para esclarecer as circunstâncias do fato.
Quanto às divergências em relação à versão apresentada inicialmente na delegacia, os envolvidos foram novamente intimados para prestar esclarecimentos complementares.