Uma operação militar lançada por Israel contra o Irã na madrugada deste sábado (28) desencadeou uma rápida sequência de ataques e contra-ataques que ampliou o clima de guerra na região, com envolvimento direto dos Estados Unidos e acionamento de alertas de defesa aérea em diversas cidades.
O governo israelense declarou estado de emergência nacional logo após o início da ofensiva, classificada como preventiva contra alvos estratégicos iranianos. Em poucas horas, sirenes soaram em várias áreas do território israelense diante da identificação de mísseis lançados a partir do território iraniano.
Explosões também foram registradas na região de Haifa, no norte do país, intensificando a mobilização das forças de defesa e levando autoridades a orientar a população a permanecer próxima de abrigos.
A ação militar ocorre poucos dias depois de Teerã e Washington retomarem conversas diplomáticas sobre o programa nuclear iraniano, tema que há décadas provoca atritos entre o país persa, Israel e potências ocidentais. Enquanto governos ocidentais afirmam que o programa pode ter finalidade bélica, o Irã sustenta que suas atividades têm caráter exclusivamente civil.
Brasil condena ataque
O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota condenando as ações militares e manifestando “grave preocupação” com o risco de agravamento do conflito, destacando que os bombardeios ocorreram em meio a negociações ainda em curso.
Segundo o Itamaraty, a via diplomática é a única solução sustentável para a crise. O governo brasileiro apelou para que as partes respeitem o direito internacional, exerçam contenção e adotem medidas que preservem civis e infraestrutura.
O embaixador do Brasil em Teerã mantém contato com a comunidade brasileira no país para repassar orientações de segurança. Representações diplomáticas em outras nações do Oriente Médio também monitoram a situação. A recomendação oficial é que brasileiros sigam estritamente as instruções das autoridades locais.
Trump justifica que ataques ao Ir
O presidente Donald Trump afirmou que a operação militar tem como objetivo “defender os norte-americanos” e neutralizar ameaças consideradas iminentes. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, declarou que o Irã “jamais terá uma arma nuclear”.
O líder norte-americano disse ainda que pretende atingir estruturas militares estratégicas, incluindo sistemas de mísseis e capacidades navais, além de enfraquecer grupos aliados de Teerã na região.
Ao relembrar episódios históricos de confronto entre os dois países, Trump citou a crise dos reféns de 1979 e ataques contra forças americanas no Oriente Médio como justificativa para a ofensiva atual.
Israel
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que a operação militar representa uma resposta direta ao que classificou como ameaça existencial representada pelo programa nuclear iraniano.
Ele pediu que a população siga rigorosamente as orientações do Comando da Defesa Civil e afirmou que os próximos dias exigirão “paciência e resiliência”. O premiê também disse que a ação militar busca criar condições para mudanças internas no Irã.
Reações internacionais
A ofensiva militar provocou manifestações imediatas de lideranças mundiais, com avaliações divergentes sobre o impacto da ação no equilíbrio geopolítico e no futuro da segurança internacional.
O vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, criticou duramente a operação, sugerindo que as negociações diplomáticas anteriores teriam sido apenas formais e questionando os desdobramentos históricos do confronto entre Washington e Teerã.
Na Europa, o presidente Emmanuel Macron afirmou que o início das hostilidades traz “graves consequências para a paz e a segurança internacionais” e indicou que medidas estavam sendo tomadas para proteger cidadãos e interesses franceses no Oriente Médio.
Que tristeza e revolta! Sobe para 24 o número de crianças mortas após um bombardeio israelense atingir uma escola primária para meninas em Minab, no sul do Irã. Estão fazendo o mesmo que fizeram com as crianças palestinas.
— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) February 28, 2026
Via @sputnik_brasil pic.twitter.com/bM0HOQT2GS
O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez também condenou a ação militar, classificando-a como uma escalada que aumenta a instabilidade global e defendendo a retomada urgente do diálogo diplomático.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que os acontecimentos são motivo de “grande preocupação” e ressaltou que a União Europeia mantém contato próximo com parceiros para preservar a estabilidade regional, destacando a importância de garantir a segurança nuclear e evitar novas tensões.
No cenário asiático, a primeira-ministra Takaichi Sanae informou ter ordenado o reforço das medidas de proteção a cidadãos japoneses na área afetada, com intensificação da coleta de informações e preparação para eventuais evacuações.
Já o primeiro-ministro libanês Nawaf Salam apelou à população para que o país não seja arrastado para novos confrontos, pedindo prudência diante do risco de ampliação da crise regional.
O premiê australiano Anthony Albanese manifestou apoio às ações destinadas a impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, afirmando que Canberra considera o programa iraniano um fator de desestabilização e defende medidas para conter ameaças à segurança internacional.
As reações evidenciam a divisão da comunidade internacional diante do episódio, enquanto cresce a preocupação com uma possível expansão do conflito para além dos atuais protagonistas.