Após um tenso trâmite político em Niterói, a Câmara Municipal de Vereadores decidiu aceitar, na quinta-feira (23), os atestados que justificam as faltas da vereadora Benny Briolly (PT). Após a decisão, uma resposta da mesa diretora à 9ª Vara Cível no município, a parlamentar lidou a permanência do mandato como vitória e relacionou o período de faltas a recuperação de uma cirurgia e a um quadro de trombose que enfrentou.
O pedido de cassação do mandato foi protocolado pelo vereador Allan Lyra (PL), oposição à Benny dentro da casa legislativa, que argumentou que a petista teria faltado sem justificativa, ao longo de 2025, cerca de 33 das 99 sessões plenas da câmara, um total de um terço das sessões.
Após o entendimento da mesa diretora, chefiada pelo presidente Milton Cal (União), Benny declarou que precisou se afastar da atividades exercidas dentro da casa por conta de um período de recuperação. Em nota enviada na íntegra ao Enfoco, a vereadora comentou que precisou passar por uma cirurgia e enfrentou uma quadro de trombose, dois períodos que foram apresentados nas justificativas das faltas e aceitos pela câmara municipal.
‘Tenho confiança nas instituições e no devido processo legal. Não fui eleita para responder a perseguições políticas. Fui eleita para defender a população de Niterói. Esse é o trabalho que continuará sendo a prioridade do nosso mandato‘, disse a parlamentar.
Benny Briolly foi eleita vereadora em Niterói em 2020, sendo a primeira mulher trans a ocupar um cargo parlamentar no município. Em 2024, nas últimas eleições municipais, ela foi reeleita com 4.801 votos. Apesar de ambas as eleições serem pelo PSOL, a parlamentar recentemente migrou para o PT e concorre como pré-candidata a deputada federal pela sigla.
Oposição mira mandato da vereadora
Apesar da ‘derrota’ na câmara, o vereador Allan Lyra (PL) declarou, nas redes sociais, que pretende judicializar o caso, mesmo após a mesa diretora da casa legislativa reconhecer as justificativas de Benny Briolly.
Segundo Lyra, a mesa dirigida por Milton Cal (União) ‘rasgou a Lei Orgânica’ ao ‘livrar’ a vereadora de uma possível perda de mandato. Para o parlamentar, a legislação deve resultar na cassação, uma vez que a falta de um terço das sessões parlamentares resulta na perda do mandato.
