Representantes de diversos povos originários do Brasil desembarcam em Niterói, nos próximos dias 20 e 21, para o evento “Encontro com Arariboia”. O município da Região Metropolitana do Rio, cujo nome de origem Tupi significa “águas escondidas”, detém o título de única cidade brasileira oficialmente fundada por um nativo: o cacique Arariboia, em 1573.
O evento propõe uma revisão histórica da figura de Arariboia por meio de debates, intervenções artísticas e uma feira cultural. A programação reúne um corpo técnico de especialistas, incluindo juristas, antropólogos, historiadores e artistas indígenas. As atividades serão divididas entre o Centro Eco Cultural Sueli Pontes e a Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF).
A agenda completa deve ser publicada nos canais oficiais nos próximos dias.
Legado de Arariboia para Niterói

Segundo historiadores, líder do povo Temiminó, o cacique Arariboia desempenhou papel estratégico nos conflitos de colonização da Baía de Guanabara no século XVI. Aliado aos portugueses para a expulsão das forças francesas, Arariboia recebeu a posse das terras onde estabeleceu a Aldeia de São Lourenço dos Índios, núcleo que deu origem à atual configuração urbana de Niterói. Atualmente, sua memória é preservada em monumentos como a estátua na Praça Arariboia, no Centro.
Durante o encontro, a trajetória do cacique será analisada sob uma perspectiva contemporânea em uma atividade cênico-pedagógica estruturada como um “tribunal histórico”. O projeto serve como prelúdio para 2026, ano em que Niterói planeja sediar uma exposição e um festival de artes indígenas, visando consolidar o município como polo de referência cultural no cenário nacional.
Quem vai participar
Marcos Terena – liderança histórica do povo Terena e referência internacional na defesa dos direitos dos povos indígenas. Escritor e articulador político, participou da organização da presença indígena em grandes encontros globais como a Rio-92 e Rio+20.
Martinha Guajajara – professora, pesquisadora e ativista indígena. Diretora na Escola Municipal Guarani Para Poty Nheë Ja, em Maricá (RJ). Doutoranda em Educação na Universidade Federal Fluminense (UFF).
Rafael Freitas da Silva – jornalista e escritor, autor de obras dedicadas à história indígena da região da Guanabara, entre elas Arariboia, o indígena que mudou a história do Brasil e O Rio antes do Rio.
Wescritor – poeta, ator, rapper, diretor artístico e compositor, jovem liderança Indígena do Povo Tupinambá de Olivença. Após mais de 10 anos dentro do movimento artístico kaysara, mostra em sua carreira a versatilidade que dialoga com o que chama de Ritmo, Ancestralidade y Poesia – (RAP).
Karkaju Pataxo – liderança indígena do povo Pataxó, Coordenador-Geral de Promoção a Políticas Culturais no Departamento de Línguas e Memórias Indígenas da Secretaria Nacional de Articulação e Direitos Indígenas do Ministério dos Povos Indígenas.
José R. Bessa Freire – professor aposentado da UERJ e da UNIRIO, doutor em Letras (UERJ) e em História pela École des Hautes Études (França). Coordenou por 30 anos o Programa de Estudos dos Povos Indígenas da UERJ e é autor de obras de referência como Aldeamentos Indígenas do Rio de Janeiro e Rio Babel – A História das Línguas na Amazônia.
Marize Guarani – professora, historiadora e ativista indígena. Doutora em Educação, foi a primeira estudante indígena no programa de pós-graduação da UFF. Atua na valorização da memória, da educação indígena e no fortalecimento das culturas e saberes tradicionais.
Cacica Jurema Nunes – liderança Guarani da aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka’aguy Hovy Porã), Maricá (RJ). Atua na defesa do território, na preservação da cultura e da espiritualidade Guarani e no fortalecimento da educação e da autonomia de sua comunidade.
Carolina Potiguara – historiadora formada pela UFF e mestra em línguas indígenas pelo Museu Nacional/UFRJ, educadora e contadora de histórias indígena de ascendência Potiguara. Atua na valorização das culturas indígenas em contexto urbano, vive em Niterói e integra redes de articulação política e comunicação de mulheres indígenas.
Seu Chico – liderança caiçara e presidente da Associação de Pescadores de Itaipu, reconhecido por sua atuação na defesa dos territórios tradicionais e da cultura pesqueira local.
Krenak – líder indígena, ambientalista, filósofo e escritor brasileiro. Ailton Krenak foi o primeiro indígena a se tornar imortal na Academia Brasileira de Letras.