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Goleiro Bruno é declarado foragido pela Justiça do Rio

Redação | Publicado em: - Atualizado 8 meses atrás

Goleiro Bruno é considerado foragido pela Justiça do Rio
Decisão revogou livramento condicional após viagem sem autorização judicial - Foto: Divulgação / TJMG / Renata Caldeira

A Justiça do Rio de Janeiro passou a considerar foragido o ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo assassinato da modelo Eliza Samudio. A decisão foi tomada após a Vara de Execuções Penais (VEP) entender que o ex-jogador descumpriu uma das condições impostas para o livramento condicional, benefício concedido em 2023.

O mandado de prisão foi expedido no última quinta-feira (5), depois que Bruno deixou o estado do Rio sem autorização judicial. De acordo com a decisão, ele teria viajado para o Acre no dia 15 de fevereiro, poucos dias após obter a liberdade condicional. Pelas regras estabelecidas pela Justiça, o ex-atleta estava proibido de sair do estado.

Em nota, o Tribunal de Justiça informou que Bruno passou a ser considerado foragido por não ter se apresentado após a revogação do benefício.

Segundo o órgão, o ex-goleiro deveria retornar ao cumprimento da pena em regime semiaberto. Como não houve apresentação espontânea após a decisão, foi determinado o cumprimento do mandado de prisão.

Ao analisar o caso, o juiz Rafael Estrela Nóbrega avaliou que houve descumprimento das determinações impostas pela Justiça durante o período de livramento condicional. Na decisão, o magistrado destacou que cabe ao condenado se adaptar às regras estabelecidas para o cumprimento da pena.

“Ressalte-se que o apenado deve se adequar às regras de cumprimento da pena, seja em qual estágio ela esteja, e não o contrário”, escreveu o juiz.

O magistrado também ressaltou que Bruno foi formalmente comunicado das condições necessárias para usufruir do benefício e, portanto, não poderia alegar desconhecimento das exigências.

Diante disso, a Vara de Execuções Penais determinou a revogação do livramento condicional e expediu mandado de prisão para que o ex-jogador retorne ao regime semiaberto.

O que diz a defesa de Bruno

A defesa de Bruno informou que orientou o ex-goleiro a não se apresentar neste momento e que pretende recorrer da decisão judicial.

Segundo a advogada Mariana Migliorini, a estratégia é aguardar a análise do recurso antes de qualquer apresentação à Justiça. De acordo com ela, a apresentação imediata poderia resultar em uma situação considerada irregular pela defesa.

“Se ele se apresentar agora, pode acabar ficando em regime fechado como se fosse semiaberto, o que entendemos ser uma medida irregular”, afirmou.

A advogada sustenta ainda que o ex-jogador vinha cumprindo as determinações impostas desde a concessão do benefício. Conforme a defesa, durante cerca de três anos Bruno compareceu ao patronato sempre que convocado, manteve o endereço atualizado e realizou as assinaturas periódicas exigidas pela Justiça.

Relembre o caso Eliza Samudio

Bruno Fernandes foi condenado em 2013 a mais de 22 anos de prisão pelo homicídio da modelo Eliza Samudio. O crime ocorreu em 2010 e teve ampla repercussão nacional e internacional.

A investigação concluiu que Eliza foi assassinada após cobrar do ex-jogador o reconhecimento de paternidade do filho que teve com ele.

Atualmente com 41 anos, Bruno cumpre pena superior a duas décadas de prisão. A execução penal foi transferida para o Rio de Janeiro em 2021, quando foi mantido o regime semiaberto domiciliar concedido anteriormente.

Em janeiro de 2023, ele passou a cumprir livramento condicional, etapa considerada a fase final antes da extinção da pena.

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