O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez duros comentários sobre o colega de corte, André Mendonça, e a forma que o magistrado conduz a relatoria do caso Master. Em entrevista concedida ao programa Roda Viva, na noite desta segunda-feira (22), Gilmar relembrou o passado lavajatista do Brasil e afirmou que o relator comete “erro crasso“.
Na conversa, Gilmar defendeu que Mendonça seja cuidadoso no julgamento envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para evitar excessos que teriam ocorrido durante a Operação Lava Jato, visto que o caso é delicado e se encontra ainda no início de apuração.
Ele também comentou uma conversa que teve com o relator, na última terça-feira (16), onde Mendonça citou que foi procurado pelos advogados de Defesa de Vorcaro para realizar uma delação seletiva.
“É um trabalho difícil. É importante que não se repitam os erros do passado. Na conversa que tivemos, André Mendonça disse que tinha recebido um advogado com proposta de delação seletiva. Aqui já há uma impropriedade. A lei não permite que o juíz participe da delação, o acordo é entre o Ministério Público ou a Polícia Federal com o delator. Aqui já há algo de erro crasso“, disse o ministro.
Sobre a relatoria do Master, Gilmar Mendes completou afirmando que o comentário parte de uma visão própria dele e deve ser entendida como alerta para o caso. Ele também aproveitou a oportunidade para comentar a postura de ministros em processos passados da corte.
“Tivemos ministros lavajatistas, que defendiam e diziam ter orgulho de defender a Lava Jato. Não sei onde eles estão hoje. Embaixo da cama?“, disse Gilmar.
Desentendimento no STF
O comentário do ministro acontece após um episódio de desentendimento no STF, ocorrido na última terça-feira (16) entre os dois ministros. Após votar pela prisão domiciliar do pai de Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes justificou que a ‘tática’ de prender familiares para forçar delações foi usada na Lava Jato e o erro não poderia se repetir.
André Mendonça rebateu o voto com veemência, afirmando que o caso Master possuía ‘contornos mafiosos’ e que não aceitaria interferências na própria relatoria.
“Vossa Excelência (Gilmar Mendes) pontuou que para ser ministro do Supremo é preciso ter coragem. E lembro do que o respondi na ocasião: Não tenho medo da morte, quanto mais de ser ministro de um tribunal“, disse Mendonça ao relembrar conversa com Gilmar Mendes.