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Brasil & Mundo

Lula diz que país precisa se preparar ou ‘qualquer dia alguém invade a gente’

Redação | Publicado em:

Lula fala em ampliar defesa
Planalto articula ofensiva diplomática contra proposta dos EUA de classificar facções brasileiras como organizações terroristas - Foto: Agência Brasil

Ao defender o fortalecimento da indústria de defesa brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (9) que o país precisa ampliar sua capacidade de proteção para evitar ameaças externas.

A declaração foi feita durante encontro com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no Palácio do Planalto, em meio a preocupações do governo com a iniciativa da administração de Donald Trump de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

“Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente”, afirmou Lula ao defender cooperação entre os países do Sul Global para ampliar a produção de equipamentos militares e reduzir dependência externa.

A fala ocorre enquanto o governo brasileiro tenta conter uma proposta discutida em Washington que prevê incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras dos Estados Unidos.

No Palácio do Planalto e no Itamaraty, a avaliação é que a medida pode gerar consequências diplomáticas e jurídicas relevantes. Entre os temores está o de que a classificação permita ampliar sanções internacionais e abra espaço para ações mais agressivas de Washington no combate ao narcotráfico na América Latina, inclusive com eventuais operações fora do território norte-americano.

Diante do avanço da discussão nos Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone no domingo com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Na ligação, o chanceler apresentou a posição contrária do governo brasileiro e buscou abrir um canal de diálogo sobre o tema.

A eventual designação das facções brasileiras segue uma estratégia adotada recentemente pela gestão Trump, que passou a incluir na lista de terrorismo cartéis e outras organizações ligadas ao narcotráfico na América Latina.

O assunto deve integrar a pauta de uma possível reunião entre Lula e Trump na Casa Branca. O encontro ainda não tem data confirmada, mas interlocutores dos dois governos trabalham com a expectativa de que ele ocorra ainda neste mês.

Segundo integrantes do governo brasileiro, a posição levada aos Estados Unidos é que o PCC e o Comando Vermelho são organizações criminosas voltadas principalmente para atividades econômicas ilegais, como tráfico de drogas, e não grupos com motivação política ou ideológica, característica que, tradicionalmente, define organizações terroristas.

Preço do petróleo

Durante a agenda com Ramaphosa, Lula também demonstrou preocupação com a escalada de tensão no Oriente Médio. O presidente afirmou que o conflito envolvendo o Irã já provoca impactos no mercado internacional de energia e tende a pressionar ainda mais os preços do petróleo.

O petista afirmou que os efeitos das guerras se estendem para além do campo militar, afetando cadeias de suprimentos, energia e alimentos em escala global.

A escalada começou no fim de fevereiro, após ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, além de centenas de vítimas em Teerã.

Segundo Lula, crises desse tipo ampliam a instabilidade econômica e atingem principalmente populações mais vulneráveis. “Esses conflitos produzem efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, de insumos e de alimentos”, disse.

Terras raras

O presidente brasileiro também afirmou que o país pretende adotar uma estratégia diferente na exploração de minerais críticos e das chamadas terras raras, recursos considerados fundamentais para a transição energética e digital.

Lula defendeu que Brasil e África do Sul aprofundem a cooperação para fortalecer cadeias produtivas ligadas à mineração e evitar a exportação de matérias-primas sem agregação de valor.

Segundo ele, o objetivo é impedir a repetição do modelo histórico em que países produtores vendem recursos naturais brutos e depois importam produtos industrializados a preços mais altos.

Democracia

Ao final da declaração à imprensa, Lula confirmou que participará em abril de um encontro internacional em Barcelona dedicado à defesa da democracia. A reunião ocorrerá a convite do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.

O presidente afirmou que o encontro discutirá temas como regulação de plataformas digitais, inteligência artificial e a valorização de fontes de informação consideradas confiáveis.

Segundo Lula, Brasil e África do Sul compartilham a visão de que países do chamado Sul Global precisam ampliar sua influência nas decisões internacionais e ter papel mais ativo nos fóruns multilaterais.

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