O clima de tensão política segue escalando no Rio de Janeiro. Nesta terça-feira (7), o candidato ao Governo do Estado, Eduardo Paes (PSD), usou as redes sociais para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) e pedir por “Diretas Já“. Ao que indica, Paes pretende entrar na briga pela gestão do estado, caso a corte decida, nesta quarta-feira (8), que o voto popular é o melhor caminho para os fluminenses.
Em nova declaração, o ex-prefeito da capital comentou sobre o manifesto da Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidiu apoiar o pedido protocolado pelo PSD, para que o governador do chamado “mandato-tampão” seja definido nas urnas, e não através de eleições indiretas, como vinha sendo apoiado pelos ministros do STF.
No comentário, Paes afirmou que a tentativa de eleição para presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que elegeu, temporariamente, o deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), foi um “abuso e desrespeito com as instituições”.
“A chicana do Cláudio Castro e do PL do Rio com a justiça do Brasil parece estar cada vez mais sendo compreendida por nosso sistema de Justiça. Não passarão impunes! Diretas Já!“, declarou Eduardo Paes.
Eleito com maioria de votos dentro da casa da Alerj, Ruas teve o mandato suspenso pela Justiça do Rio, poucas horas depois da posse, que entendeu que o processo eleitoral não poderia ter começado antes da retotalização de votos, determinada pela própria Justiça.
MP Eleitoral e manobra de Castro
Além da possível candidatura do ex-prefeito e o parecer favorável da PGR, o Ministério Público Eleitoral também se manifestou a favor das eleições diretas no estado, nesta terça-feira (7).
Segundo o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, o voto popular deve ser convocado de forma obrigatória, visto que os dirigentes no cargo do Governo foram afastados por motivo eleitoral, como prevê o art. 224 do Código Eleitoral.
O MP também argumenta contra o art. 142 do Código, defendido por apoiadores das eleições indiretas, que afirma que o novo governador será escolhido de forma indireta apenas em caso de renúncia, e não por motivo eleitoral.
Na questão, o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), chegou a renunciar o cargo às vésperas de ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico, se tornando inelegível por oito anos. Em manifesto, o PSD afirma que Castro utilizou a renúncia como “manobra” para fugir das consequências do TSE e prejudicar novas eleições no estado.
Entenda o que acontece no Rio
Em meio à eleições e anulações, o estado do Rio de Janeiro se encontra caótico politicamente desde a renúncia de Cláudio Castro. A vaga, que passou por vários nomes e acabou vazia, atualmente se encontra ocupada pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, o desembargador Ricardo Couto, que assumiu de forma interina.
Na linha de sucessão, o vice de Castro, Thiago Pampolha, não pôde assumir a posição pois deixou o governo em 2025 para assumir um cargo no Tribunal de Contas do Rio (TCE-RJ).
Prisão de Bacellar
Depois de Pampolha, a vaga seria preenchida pelo ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), que ficou impossibilitado, já que foi preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Unha e Carne.
O deputado estadual teve o mandato cassado e é investigado por ligações com o Comando Vermelho, sendo preso por suspeita de vazar à facção criminosa informações sigilosas relacionadas a TH Joias.
Atualmente, Bacellar está preso na Superintendência da PF, cumprindo um mandato de busca e apreensão.

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Quem é Douglas Ruas?
Filho do prefeito da cidade de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, Capitão Nelson (PL), Douglas Ruas (PL) é bacharel em Direito, pós-graduado em Gestão Pública e servidor concursado da Polícia Civil.
Foi eleito deputado estadual do Rio de Janeiro em 2022, com 175 mil votos, assumindo a Secretaria de Cidades do Governo Castro pouco tempo depois.
Depois de ter a eleição para a cadeira de presidente da Alerj cancelada pela Justiça, Ruas declarou publicamente que irá disputar as eleições diretas para o mandato-tampão, caso o STF decida que este será o formato seguido.

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