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Interior

A ‘pandemia’ de motos por aplicativo e o perigo nas ruas

Tayná Ferreira |

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Enfoco

O perfil dos motociclistas envolvidos em acidentes de trânsito mudou significativamente nos últimos anos, muito em função do crescimento das entregas e corridas por aplicativo. Esta é a constatação do engenheiro de transportes e professor titular da Universidade Federal Fluminense (UFF), Aurélio Lamare Soares Murta. 

“Antes predominavam jovens homens com uso recreativo ou profissional tradicional, como mototáxi e transporte de pequenos volumes. Hoje, há aumento expressivo de entregadores por aplicativo, muitos ingressando sem treinamento formal ou experiência em direção defensiva. Também há crescimento de condutores mais velhos e de uso familiar, ampliando o espectro de exposição ao risco”, explica.

Ainda segundo ele, a pressão por produtividade nas plataformas digitais aumenta o risco.

“A busca por mais entregas e corridas em menos tempo desfoca a atenção e estimula comportamentos perigosos. A remuneração variável e os algoritmos que privilegiam rapidez intensificam práticas de risco, como acelerações bruscas e desrespeito aos sinais. Além disso, muitos desses profissionais não dispõem de equipamentos de segurança completos, nem passam por capacitação sistemática em segurança viária”.

Para o presidente da Associação dos Motofrentistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil (AMABR), Edgar Francisco da Silva, diversos fatores contribuem para que motociclistas que trabalham por aplicativos sofram acidentes.

“Esses valores baixos fazem com que os motociclistas não tenham condições de se alimentar direito, não façam a manutenção adequada do veículo e trabalhem em excesso para tentar alcançar o mesmo ganho que tinham quando começaram no aplicativo. Em dias chuvosos, frios ou à noite, que são os mais arriscados para nós, essas empresas oferecem bônus ou até dobram o valor das corridas. Nisso, os motoboys acabam se colocando em mais risco para tentar fazer um valor justo”, explica.

Edgar também destaca que as plataformas exercem pressão constante sobre os entregadores. Segundo ele, os aplicativos utilizam diversas estratégias para incentivar os motociclistas a fazerem mais corridas.

“Uma empresa está promovendo campanha na qual o trabalhador concorre a duas motos. O que define quem ganha é a quantidade de entregas realizadas, que geram pontos. Isso acaba induzindo as pessoas a correrem mais, aumentando o risco de acidentes”, afirma.

Segundo a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), as empresas associadas à entidade (Ifood, Uber, 99 e Zé Delivery de Bebidas) informam que, em todo o país, há cerca de 800 mil motociclistas cadastrados nas três maiores empresas do setor. Esse número representa apenas 2,3% da frota nacional, que totaliza 34,2 milhões de motocicletas, motonetas e ciclomotores, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran/2024).

Ainda segundo a Amobitec, as empresas que intermediam o transporte de usuários de motocicleta por meio de aplicativos adotam camadas adicionais de segurança além das previstas em lei, com o objetivo de evitar incidentes e preservar a integridade física de condutores e passageiros.

“Nesse sentido, as plataformas investem continuamente em ferramentas tecnológicas que atuam antes, durante e após cada viagem, buscando oferecer cada vez mais proteção. As empresas associadas contam com um seguro contra acidentes pessoais durante as viagens para os motociclistas parceiros e usuários, que são orientados a seguir as leis de trânsito vigentes, além de receberem conteúdos educativos sobre direção segura”, completa, em nota.

A associação explica ainda que, para reduzir os riscos, devem ser observadas normas de segurança como uso de capacetes, direção defensiva, respeito aos limites de velocidade das vias e às regras de trânsito. 

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Tayná Ferreira

Tayná Ferreira

Apaixonada pela comunicação e amante da Língua Brasileira de Sinais (Libras), também adora fotografia, boas conversas e filmes